26/03/2009
jorge luis borges
Nuvens
Não haverá uma só coisa que não seja
uma nuvem. São assim as catedrais
de vasta pedra e bíblicos cristais
que o tempo arruma. Refletido
no espelho teu rosto é desconhecido,
e o dia é um duvidoso labirinto.
Somos os que se vão. A numerosa
nuvem que dissipa no poente
é a nossa imagem. Incessantemente
a rosa se transforma em outra rosa.
És nuvem, és oceano, és olvido.
E és também o que terás perdido.
