23/04/2009

Amóz Oz ll

Os fanáticos são, frequentemente, muito sarcásticos. Alguns deles têm um senso de sarcasmo muito mordaz, mas não têm humor. O humor inclui a capacidade de rir de nós mesmos. O humor é relativismo, é a aptidão de vermo-nos como os outros podem nos ver, é a capacidade de entender que, por mais cheios de razão que estejamos e por mais terrivelmente equivocados que estejam os outros sobre nós, há sempre um aspecto disso tudo que é um pouco engraçado. Quanto mais você tem razão, mais engraçado fica. Estou tentando realçar a necessidade de imaginarmos uns aos outros. Façamo-lo em todos os níveis, começando pelo mais cotidiano. Mesmo quando se está cem por cento certo e o outro cem por cento errado, ainda é útil imaginar-se um ao outro. Pessoalmente, acredito que o amor é uma mercadoria muito rara. Acho que um ser humano é capaz de amar dez pessoas. Se for muito generoso, pode amar vinte. Um ser humano afortunado pode até ser amado por dez pessoas. Se for excessivamente afortunado, pode ser amado por vinte pessoas. Mas como os Beatles lamentaram uma vez, “não há amor suficiente para fazer o mundo girar”. Não acho que o amor seja a virtude pela qual resolveremos os nossos problemas. Precisamos de outras virtudes. Precisamos de um senso de justiça, mas precisamos também de senso comum, de imaginação, de uma capacidade profunda de imaginar o outro, de nos colocarmos na pele do outro. Precisamos de uma capacidade de nos comprometer e, as vezes, de fazer sacrifícios e concessões, mas não precisamos cometer suicídios e assassinatos em nome da “paz”. Sei que a palavra compromisso tem uma reputação terrível no círculos idealistas, principalmente entre os jovens. Compromisso é concebido como falta de integridade, falta de consistência, falta de honestidade. Não é assim no meu vocabulário. Em meu mundo, chegar a uma solução de compromisso é sinônimo de vida, de sobrevivência. Onde há vida há compromissos.

 

“““““““““““““““““““““`

 

Mais um texto do escritor Amóz Oz que adorei.

Vcs sabem, o meu maior amigo da vida inteira, Cao Albuquerque, é HIV positivo há mais de 15 anos. Somos amigos há trinta — trinta anos de luta, solidariedade, de alegrias e tristezas, e muito companheirismo. Ele é um irmão que escolhi e temos muito em comum — mas o seu senso de humor é imbatível. Ontem ele fez 50 anos. Nunca o vi melhor nem mais feliz. 

Cao é o cara.

 

bj.

 

Marina